Dor de Cabeça - Causas que você ainda não conhecia.

Atualizado: Fev 4



Segundo dados epidemiológicos 50% da população geral tem cefaleia (dor de cabeça) durante um determinado ano e mais de 90% refere história de cefaleia durante a vida, causando um grande impacto na qualidade de vida dessas pessoas.


A maior parte delas costuma fazer uso de medicamentos para aliviar a dor. A recidiva, porém, é quase certa.


Nesse artigo apresento alguns dos fatores de dor de cabeça dos quais poucas pessoas têm conhecimento, mas que podem trazer alívio em várias situações.


Acredito que a dor seja resultado de um conjunto de fatores, incluindo aspectos físicos, ambientais e emocionais e que o tratamento envolva algumas mudanças nessas áreas.


Explico a seguir alguns fatores que podem ser causa principal ou secundária de uma cefaleia.


Nossa cabeça é formada por vários ossos, e ao contrário do que muitos pensam, eles não são fixos. Muito pelo contrário. Eles têm movimentos específicos que acompanham o ritmo crânio sacral. Esse ritmo é determinado pela produção e absorção do líquido que banha o cérebro e a medula. Aquele mesmo líquido que recolhem da coluna para fazer teste de meningite. Nosso cérebro produz esse líquido e joga entre o cérebro e a caixa craniana, que circula pela coluna e retorna ao cérebro onde é reabsorvido para ser secretado novamente.


Compare isso com um pudim: a forma é a caixa craniana, o pudim é o cérebro e a calda do pudim é o líquido. Para acomodar esse líquido e o cérebro não sofrer a pressão que ele exerce, os ossos da cabeça possuem uma movimentação muito sutil, que acontece nas junções dos ossos, chamados suturas. É uma articulação só que com um movimento muito, mas muito pequeno.


Cada osso está em uma cor. A divisão entre eles é uma articulação chamada sutura craniana. Esses ossos se movimentam muito sutilmente para acomodar o líquido encéfalo-raquidiano. Dessa forma o crânio se adapta a essa pressão desse líquido (pressão hidrostática)




A secreção e reabsorção desse líquido é o que define o ritmo crânio sacral.

Imagina agora se esses ossos não se movimentam como deviriam. Ao invés da caixa craniana expandir para acomodar o líquido, o cérebro acaba sofrendo a pressão desse sistema. É como se eu quisesse encher uma bexiga que não se expande.

Imagina o que acontece.... pois é o cérebro acaba arcando com as consequências. Isso pressiona vasos e nervos que estão ali.


Além disso, no nosso cérebro há muitos vasos sanguíneos, que chegam através de orifícios na base do crânio, ou pelas vértebras cervicais. Por ali passam importantes artérias, veias e nervos. Muitas vezes tensões de músculos ou fáscias (explico logo abaixo o que é isso) podem reduzir os espaços entre os forames (orifícios do crânio).

Também a mobilidade alterada das vértebras da coluna pode resultar em alteração da condução desses vasos e nervos.

Resultado: um tecido que não recebe sangue normalmente não consegue trabalhar adequadamente. Isso pode ser um dos fatores que colabora para gerar dor de cabeça.
















Aqui está ilustrado as artérias que circulam entre a cabeça e o pescoço.

Se os músculos do pescoço ou da coluna ficam tensos, eles acabam por reduzir o fluxo de sangue para a cabeça. É como apertar uma mangueira. Fica difícil passar a água.

Um tecido que é mal irrigado não funciona corretamente

Na segunda figura vemos as artérias passando pelo orifício na base do crânio.

Entre a base do crânio e a primeira vértebra cervical deviria ter um espaço de um dedo aproximadamente.

Muitas vezes os pacientes chegam com esse espaço bem reduzido. Isso é um outro fator que pode gerar dor de cabeça por compressão das estruturas que passam ali.


Uma outra causa pode ter relação com dor de cabeça é a articulação Têmporo- Mandibular. Aquela articulação perto do ouvido. Se você colocar o dedo no ouvido e abrir a boca perceberá seu movimento. Essa articulação está relacionada com a mastigação. Porém ela se conecta de cada lado com um osso da cabeça. É uma articulação muito fácil de dar problema pois é um osso único (do queixo) que se articula com dois ossos do crânio.




Pela conexão anatômica direta com os ossos da cabeça, um problema nessa região pode desencadear dores na parte lateral da cabeça, testa, e muitas vezes região dos olhos.


Até aqui eu citei possíveis causas fáceis de entender a relação com a dor de cabeça: Falta de movimentação correta dos ossos cranianos, alteração da mobilidade das vértebras cervicais, diminuição do espaço entre a base do crânio e a primeira vértebra cervical, tensão dos músculos do pescoço e disfunção da articulação ATM (chamamos de DTM – Disfunção Têmporo Mandibular),


A próxima causa tem uma relação à distância e para isso vou explicar um pouco mais sobre fáscias.


Fáscias são tecidos de revestimento. Em volta do músculo existe fáscia, revestindo um nervo, um vaso, o coração, o pulmão.... enfim... 70% aproximadamente do nosso corpo são fáscias. É como se fosse um papel de presente que embrulha as estruturas do nosso corpo. Sabe aquela parte branca da carne que não é gordura. Aquilo é uma fáscia. Ela não tem a mesma elasticidade do músculo, mas conecta todas as fibras musculares. E como o músculo, ela também esta sujeita a tensões. Também podemos comparar as fáscias com aquela parte branca da mexerica, que faz conexões e recobre os gomos da fruta.
















As meninges que revestem o cérebro, passam por dentro da coluna e vão até o sacro. Essas meninges são fáscias que revestem o cérebro e a medula, protegendo-os. Temos 3 meninges sendo a dura máter a mais rígida delas. Ela se conecta em alguns pontos da cabeça, passando por entre os dois lados do cérebro (hemisférios cerebrais).











Passa para a coluna e se insere na segunda vértebra da coluna (segunda vértebra cervical), desce por toda a coluna e se fixa novamente no sacro (osso triangular no final da coluna, no bumbum).



As fáscias também são feitas de fibras, o que significa que essas fibras podem sofrer alterações de tensão.


Vou explicar melhor: Imagine um varal – Dois postes ligados por um fio. Se eu entortar um dos postes, eu vou fazer uma tração nesse fio (pela inclinação do poste), que vai chegar até o outro lado do poste, influenciando-o, certo?


Da mesma forma a tensão sofrida no fio pode mudar a direção que ele estava, adquirindo uma nova posição do fio do poste. É a mesma coisa com as fáscias. Se eu exerço tração de um dos lados, eu influencio o outro lado em que ela está fixada. E influencio também a direção da fibra. Isso mantido por certo tempo gera adaptações e pode gerar dores no futuro.


Onde quero chegar com isso? Quero dizer que tensão em qualquer ponto da sua coluna, desde a base até o crânio pode influenciar na dor de cabeça. Por ter um tecido que percorre a coluna toda, desde a base até a parte interna do crânio. E como explicado acima, é como se fosse o varal. Uma tensão na base da coluna pode gerar tensão na cabeça, influenciando a dor.



COMO EU RESOLVO ISSO?


Como dito antes, não acredito que as dores sejam resultado de uma única coisa, mas sim o somatório de várias pequenas coisas. Como um efeito dominó.


De qualquer forma, nesses casos citados acima, para amenizar ou resolver o problema, a questão central seria reorganizar esses ritmos e movimentos dos ossos do crânio, aumentar o espaço na base do crânio, liberar tensão de fáscias e músculos, e soltar a tensão das meninges. Isso tudo é a base da Terapia Craniossacral.


Através de toques sutis é possível detectar tensões no corpo e libera-las, reorganizando o corpo novamente.


Esse tipo de terapia trabalha com o sistema de auto-cura, que consiste em dar estímulos para o próprio corpo se reorganizar. Liberando as tensões é possível chegar mais sangue, que traz mais nutrientes e oxigênio para as células. Células bem nutridas trabalham melhor. Com isso o corpo vai se readaptando ao novo padrão e as dores vão diminuindo.



Se você tem alguma duvida entre em contato.

Estamos à disposição para te ajudar no que for preciso.


Espaço Uno

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Gonzaga - Santos

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